Mais laranjas e sobre como informar

Ontem passei por 2 pessoas em bicicletas do Itaú, que andavam pela calçada do Rio Vermelho. Uma calçada estreitíssima que mal dá pra passar duas pessoas ao mesmo tempo. Na direção oposta à dos carros.

Passei, claro, andando no fluxo dos carros, na pista, do jeito certo, seguro e dentro da lei. Evito encarar o ciclista infrator. Evito constranger desconhecidos em casos como esse por vários motivos. 1) Porque eu não sou autoridade, e isso aumenta em muito a chance de eu ser plenamente ignorado ou hostilizado de graça. 2) Porque não é efetivo. A pessoa não quer ouvir. Prefiro dedicar essa energia a escrever o blog. Quem vem aqui, veio porque quis, continuou lendo depois da terceira linha porque quis, e certamente estará mais aberto ao que eu estou colocando.

Se fosse uma atitude porre, porém efetiva, talvez eu fizesse.

Uma coisa que é chatíssima e eu AMO fazer, é flagrar alguém jogando lixo no chão e, no campo de visão do abestalhado, pegar o lixo no chão e jogar numa lixeira. Ou no caso de não haver lixeira por perto, simplesmente andar com o lixo alheio até a próxima oportunidade. Acredito que nesse caso funciona, porque todo mundo já sabe que jogar lixo no chão é uma merda. Pode não ter dimensão exata de quão ruim é (é MUITO ruim). Mas ao ser flagrado, é muito raro que algum cara-de-pau ainda se sinta no direito. Nunca vi acontecer. E já fiz isso umas 30 vezes, pelo menos. É, talvez, a minha chatice preferida da vida.

No caso da bicicleta é mais complexo. As pessoas acham que estão certas. As pessoas acham que se fizerem diferente vão morrer. As pessoas não estão interessadas em se deixar guiar por um desconhecido cujo primeira interação na vida é dizer: “você está fazendo merda”. Ninguém está disposto a considerar que esse desconhecido possa estar certo. E mesmo que esteja, poucas pessoas estarão abertas a dar o braço a torcer a um chato no meio da rua – mesmo que mudem de ideia dias depois. A leitura do infrator na maioria das vezes vai ser: “Quem é você pra me corrigir, e você ainda tá falando MERDA!”.

Que é exatamente o que eu penso quando vem alguém na contra-mão e grita comigo “é pra andar na contra-mão, idiota!” (já aconteceu umas 4 vezes).

Não disse nada aos novos ciclistas, andando pela calçada contra o fluxo. Se eles continuarem a andar de bicicleta, certamente vão acabar se informando em algum lugar. O salitre vai começar a comer o Itaú – como já está acontecendo – e eles, se se adequaram à ideia, podem comprar uma bicicleta. E se isso acontecer vão encontrar vários contextos em que o assunto é bicicleta e a questão da norma, do correto, do seguro, vai surgir.

Mais foco na informação sobre como andar de bicicleta na cidade, não faria mal a ninguém, também.

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2 respostas para Mais laranjas e sobre como informar

  1. Adna Novaes disse:

    Camilo, já viu isso?
    http://www.ta.org.br/site2/banco/4leis/ctb_bolso.pdf

    Achei interessante para saber mais sobre nossos direitos e deveres no trânsito.

  2. Camilo Fróes disse:

    Oi Adna, não conhecia, que bacana. Vou ler com calma, e se for o caso, compartilho aqui e no Facebook. Abs!

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