É hora de voltar

Quando começaram os protestos de junho, parei de escrever. Fui à Tancredo Neves, fui ao Politeama, fui à prefeitura, fui ao Passeio Público algumas vezes, e a energia que contagiava as ruas me fez pensar sem parar, buscar informações, e nessas condições é difícil fazer outras coisas. É até fácil escrever, mas é difícil escrever sobriamente. E o que o momento pedia e pede, é sobriedade.

Fico feliz que a desmilitarização da Polícia Militar tenha virado pauta nacional. Fico feliz que a ideia de protestar para incomodar voltou á tona, quando há bem pouco tempo se dizia que era tudo uma “perda de tempo”, porque não ia “adiantar nada”.

Olhando daqui, de agora, é bom que a direita tenha descido às ruas. E cansaram. Adoram um “cansei”. Vão demorar a tentar aparelhar esse espaço tão energicamente novamente.

Dezenas de pequenos protestos pipocam em diversos lugares de Salvador, e é importante, na minha ótica, que não só “adianta alguma coisa” quando se “consegue alguma coisa”. A nossa situação é bem mais precária. Já se consegue alguma coisa quando se faz ouvir. Quando as pessoas se organizam para falar. E quando surge uma pressão para a escuta fora da iminência de eleições.

A minha escolha de viver trabalhando com o que gosto inclui também trabalhar mais ou menos o tempo inteiro. E não poder se dar ao luxo de recusar propostas. Em pouco tempo as atividades de rua e de trabalho ficaram inconciliáveis e enfim me afastei de fato. Se o segundo semestre for, na prática, tão sorridente quanto o que parece que será, poderei contribuir muito mais ativamente. Com tudo.

Coisas para prestar mais atenção.

Licitação de ônibus para a cidade de Salvador. As licitações estão de fato sendo discutidas e revistas. Acontece que a nova proposta é tão ruim quanto a atual e não resolve uma série de problemas estruturais e claro, não mexe na transparência e na margem de lucro. Também não amplia horário de funcionamento, frota, etc. A fiscalização popular ou parlamentar não fica mais fácil. E põe uma pedra na questão por 25 anos. Ridículo.

Enquanto o secretário Aleluia antes de assumir deu belíssima entrevista falando que a prefeitura não pode priorizar o carro, que as pessoas têm que pensar alternativas de transporte viáveis, e que “se não tem onde estacionar deixa o carro em casa”, o pacote de medidas da prefeitura está acontecendo em direção oposta. Diminuindo o número de semáforos da orla, renovando contrato milionário de semáforos (que estão de repente pifando, todos) sem licitação, porque é uma porcaria patenteada, e alterando mão e contra-mão para maior fluência de… carros.

Então o ônibus não melhora, dos planos inclinados ninguém fala, ciclovia então… E mesmo mantendo pensamento carrocêntrico, para quem faria um choque de ordem em 100 dias, vejam, as nossas ruas que precisam de uma reforma real e não apenas remendos, não foram sequer remendadas.

E esta é a perspectiva de quem anda pelo Rio Vermelho, Barra, Graça, Campo Grande, Barris e Pituba, que estão entre os bairros que recebem MAIS atenção da prefeitura. E a Cidade Baixa? E Cajazeiras? E a Boca do Rio? E a Ribeira? E o Alto do Cabrito? Tá melhor? Tá lindo? Vocês podem me dizer.

Esse prefeito não é sério. Com o ‘foda-se’ ligado aumenta o próprio salário, diz que não foi ele, foi João Henrique. Pois é, Neto, quem não desfaz, aceita. Quem não combate, aceita. E sobretudo quem aceita aumento, aceita.

Nesta retomada, com a ajuda fundamental de Agnes Cajaíba para dar ânimo e fôlego ao blog, vamos fazer uma série de não sei quantas entrevistas e vídeos legais de gente que anda de bicicleta e suas impressões, pra coisa ficar mais dialogada. Vamos começar logo mais com Eduardo Luedy.

Pra voltar é isso. Por hoje é só.

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