Buracão e 3 mil quilômetros

 

Prometi falar das mudanças que a prefeitura anunciou para o trânsito, mas me ocupei com muitos outros afazeres e não parei para estudar o assunto antes de me manifestar. Permaneço apenas com a primeira impressão muito negativa. Mas vou procurar me informar e escrevo sobre isso em breve.

Queria relatar mais histórias recentes.

1.

Desisti de pedalar na chuva. Mais para conservar as coisas que carrego comigo, que não podem molhar, do que para me manter seco. Mas se saio de manhã de bicicleta com o céu aberto, em Salvador, ainda mais em junho, é impossível saber se na volta haverá chuva. É preciso assumir algum risco, não tem jeito.

Daí voltava para casa, não na chuva, mas logo depois de uma ‘pancada de chuva’, como se diz na TV. Uma chuviscada. Suficiente para que a água evidencie todos as ondulações do nosso asfalto. Sou muito curioso para saber qual o percentual de Nescau vai nas nossas ruas que dissolvem tão facilmente. Mesmo com pouca água, é preciso mais cautela, o trânsito fica lento e peguei um engarrafamento em Ondina, na metade do caminho. Passei por umas 300 poças, frequentes nas bordas da rua sem surpresas, uma vez que este é um trajeto que eu conheço muito bem. Próximo ao Largo de Santana porém, um buracão espreitava.

Um buraco recente, coberto de água se disfarçava de poça. O que aparentemente seria a poça de n. 301 era, na verdade, uma cratera suficiente para vencer a suspensão da minha roda dianteira. A bicicleta afundou uns 40 cm, travou, o pneu traseiro subiu, eu fui arremessado para frente, e num ato de reflexo ninja, desses que surgem apenas quando é preciso, caí em pé em frente da bicicleta. Pendi para a calçada, a bicicleta pendeu para a rua. Atrás de mim, um ônibus parou e esperou que eu retirasse a bicicleta da frente.

Eu estava muito lento. Passo por ali normalmente no dobro da velocidade. Podia ter me estabocado. Um pedestre viu a cena. Viu eu me recompor, retirar a bicicleta da rua, checar se houve danos na roda, checar se estava tudo no lugar, retornar à pista e seguir pedalando. Quando montei de novo na bicicleta ele não se aguentou e disse: “essa cidade está uma merda”. Devolvi um sorriso simpático. Acho que o trânsito está uma merda, mas “trânsito” e “cidade” não são sinônimos, apesar da confusão ser frequente.

Não quero botar na conta deste prefeito esse ou qualquer outro buraco. Acho mais justo fazer uma divisão pelos últimos 10 prefeitos (alô, Mário!), que nunca levaram a sério a nossa asfaltagem. Neto encontrou uma forma tradicional de resolução desse tipo de problema que é a recapeação preguiçosa, praticada desde que o asfalto chegou à Bahia. Uma tradição baiana: o remendo. Manteve intacto esse patrimônio imaterial da administração pública, que é o armengue asfáltico, uma das muitas singularidades baianas ainda não homenageadas pela nossa música popular. Os governos e empresários da Bahia (que são mais ou menos o mesmo grupo de pessoas) são muito avessos a mudanças. Se é assim desde voinho, quem é o Netinho pra mudar?

Sorte que eu estava com uma bicicleta desenvolvida para enfrentar terrenos irregulares e situações adversas. Imagina o prejuízo se fosse uma dobrável importada. Ai meu bolso só de pensar.

2.

O baque me fez pensar em manutenção e parei na loja de bicicleta.

Fui pela buzina (é triste, mas a minha fom fom parou de funcionar), mas fiquei conversando sobre várias questões. Entre elas, um problema com a minha corrente, que estala, e pula de um ‘gomo’ para o outro quando eu faço muita força.

Segundo o rapaz da New World Bike, o correto seria trocar a corrente da bicicleta a cada mil quilômetros mais ou menos. A partir daí ela já não mantém a uniformidade, tende a emperrar, folgar ou partir. Pior, tende a danificar as catracas.

Nunca tinha ouvido falar disso. Mecânica e manutenção são as partes da bicicleta que eu menos tenho conhecimento.

Fiz cálculos de aproximação de Malba Tahan, e a mountain bike que nunca trocou de corrente já acumula provavelmente cerca de 3.000 Km rodados. Lá vou eu investir mais dinheiro na bicicleta. Receoso perguntei quanto seria para trocar as catracas do meu modelo, mais a corrente. R$68 reais. O custo de um táxi para o aeroporto.

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4 respostas para Buracão e 3 mil quilômetros

  1. mariocorde disse:

    Sério que precisa trocar a cada 1000km? A minha ta chegando aos 1000 mas já começou a fazer sons estranhos e ao pedalar já sinto os estalos.
    Vou verificar. A maresia também é quebrança né… tem q lubrificar sempre…

  2. Nick disse:

    R$68,00…
    Meio tanque de gasolina de um carro popular. Uns 250 a 300Km. Uma semana de quem roda pouco com carro em Salvador…

  3. Tiago disse:

    Tô gostando muito do teu blog, parabéns, ótimo texto. Eu moro no Rio de Janeiro e por enquanto não conheço muito da realidade de Salvador, só um pouco. Mas eu tô escrevendo por conta da mecânica de bicicletas, que até onde eu sei funciona igual entre Rio e Salvador. Não me leve à mal, mas parece que o rapaz da New World Bike está querendo te vender uma corrente que não é necessária. A minha experiência me diz que uma corrente que seja bem mantida pode durar até 10mil km, ou 10 vezes o que esse rapaz te informou. Mesmo que dure a metade disso, 5mil km, certamente muito mais do que os 1000 km informados. Se fosse assim eu teria que trocar de corrente umas 2 ou 3 vezes por ano, o que seria bem chato. Seria legal você fazer manutenção da tua corrente a cada 1000 km, ou umas 3 vezes por ano, o que bater antes, incluindo limpeza, lubrificação e regulagem. Mas se tiver afim de gastar dinheiro, não sou eu que vou te tirar esse prazer!!!

    • Camilo Fróes disse:

      Hahaha, varia de tudo pra tudo, né? Depende da corrente, depende da bicicleta, da manutenção que se dá, e dos trajetos. É raríssimo não subir uma longa ladeira quase todo dia, e isso força a corrente a um tipo de esforço muito diferente de andar no plano e um desgaste maior.

      Confio no pessoal da NWB, têm me dado boas informações sem uma postura mercenária. Talvez mil Km seja um exagero, sim, mas com a troca da corrente a bike ficou legal de novo. Vamos vendo e aprendendo. Abraço.

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