3 historinhas

Dias movimentados em todas as esferas da vida fazem com que eu fique um pouco ausente deste blog.

Colecionei nos últimos dias, curiosas anedotas acontecidas comigo.

Vamos começar pela mais boba:

1 – Subindo a Ladeira da Barra, um pedestre resolve atravessar a rua correndo. Tem uma frase que eu repito muito e as pessoas não levam muito a sério que é: quem corre cai. Quem corre, também, enxerga pior. Aí o cara calculou os carros, e embora eu estivesse visível, não me viu. Colidiríamos. Mas eu vi o rapaz. Então parei. A prioridade é sempre do pedestre. Parei. Aí vem o interessante, ele parou também, e me disse pra seguir caminho. E ficou parado no meio da rua, perto de uma curva na ladeira. As pessoas realmente não sistematizam como se comportar na rua, e vão no improviso. Insisti pra ele terminar de atravessar, e terminou.

Depois morre e não sabe o que foi.

A próxima é mais legal.

2 – Tem, no Rio Vermelho, uma garagem colocada no lugar errado. Eu não sei se há lei ou determinação que proiba aquela garagem ali, mas havendo ou não, ela está errada. Ou a garagem muda de lugar, ou a faixa de pedestre muda de lugar. É uma garagem que, para sair, o carro tem que invadir a faixa de pedestres. Necessariamente. Uma garagem que dá para uma faixa. Se ninguém proibiu isso, ainda, Aleluia, meu bom, proíba, na moral. Melhor ainda! O carro não cabe todo na garagem, e ele fica com uma pontinha pra dentro da calçada. Aleluia, velho, veja isso. Pois bem, o cara resolve sair com o carro, e sendo uma faixa de pedestres no Rio Vermelho, claro que está cheia de gente esperando para passar, porque como o bairro engarrafa muito, os sinais só fecham uma vez a cada eclipse solar. Aí ele vai com o carro, saindo e buzinando. Dando ré e buzinando. Com a janela aberta, a uma distância de 50 cm das pessoas, faz a sua carinha de impaciente, e buzina, buzina, buzina, e anda. Eu sei que é recorrente, que está em todo canto, talvez seja por causa da faculdade que eu fiz, mas esse nível de objetificação é sempre muito impressionante, pra mim. Não consegui reagir. 8 pessoas a um metro do cara, saindo do caminho do carro que invade a calçada devagarzinho, na má vontade, sem olhar para o motorista. E o motorista sem olhar para as pessoas. Se comunicando pela buzina. São objetos. O cara incapaz de pedir licença – porque está dentro de um carro – as pessoas incapazes de dar lugar, ou de reclamar, ou de xingar. Todo mundo fingindo que o outro não existe. 9 pessoas espaço de 8 metros quadrados. Nenhuma palavra. É como se a língua falada não existisse.

Eu quase ri.

Quando o sinal fechou, as pessoas andaram, o motorista invadiu a faixa de pedestres e saiu no sinal vermelho.

E por fim, o chilique.

3 – Andava na Graça, e presenciei um ciclista berrando com um taxista. Berrando até ficar rouco. Não conversei nem com o ciclista nem com o taxista, então posso ter entendido a história errado, mas eis o que eu vi. O ciclista no meio da pista, na frente do táxi, e o táxi dando pouco espaço, de maneira razoavelmente agressiva, para o ciclista. O trânsito pára, engarrafado, e o ciclista grita: Aí, vai passar por cima do ônibus agora, também?! Não tá andando, seu otário! Otário! OTÁRIO!, e seguiu para ultrapassar o ônibus pela esquerda (o que neste caso, está errado).

Tenho visto com muita frequência ciclistas que desrespeitam o código se ofenderem com uma situação de conflito na rua. Como se todo conflito, toda situação de tensão no trânsito fosse gerada pela insensibilidade do motorista. E não é. É preciso saber que há pouca informação sobre como lidar com o ciclista. É preciso exigir que os carros cedam espaço, mas é preciso ceder eventualmente também. E é preciso seguir a porcaria do código. Se seguindo o código, as pessoas já não têm certeza de como prever as ações de um ciclista, com o cara indo para o meio da rua a situação tende a piorar. Por isso eu paro no sinal vermelho, mesmo com pista livre, mesmo sem ninguém para atravessar. Eu paro para que os carros vejam. Para que as pessoas vejam alguém fazendo a coisa certa (e porque furar seria mais um estímulo aos motoristas furarem, e eles andam furando DEMAIS em Salvador). E para que eu me habitue mais a fazer o certo do que o errado. Eu nem concordo que o sinal vermelho de carros deva servir na mesma medida para bicicletas, mas por enquanto a regra é essa, e eu só furo se não tiver ninguém por perto. Nem carros, nem pedestres. Não ultrapasso pela esquerda se o carro ou ônibus está em movimento. Não ando no meio da pista.

Pode ser que este exemplo que presenciei não sirva para esta análise. Pode ser que o taxista tenha sido muito agressivo e ameaçador duas curvas antes, pode ter dito umas gracinhas ao ciclista para ele se destemperar. Pode ser. Mas coisas assim acontecem. Têm acontecido. Discordo da postura do ciclista combativo, que briga com os carros. Fazer o certo, no seu espaço, e buscar uma harmonia, eu considero muito mais efetivo do que levantar o dedo. Ninguém aprende nada levando grito.

Por hoje é só.

Depois volto aqui pra comentar as transformações do trânsito de Salvador que começam a acontecer essa semana, que, se eu entendi direito, são horrendas, em geral.

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