Imagem geral

Ainda no ano passado, o ano de 2012, na volta do Centro para casa, de bicicleta, vi um outro ciclista descer a Ladeira da Barra, que é a minha descida favorita em toda a cidade. Descer a Ladeira e encontrar o semáforo verde e o trânsito livre para você é um prazer bônus.

Vi este outro rapaz descer a Ladeira da Barra momentos antes de eu fazer o mesmo.

Ele estava fazendo o que muitos amigos meus fazem de vez em quando, estava se divertindo no trânsito. Ele estava brincando de bike. “Em pé” na bicicleta, se colocou no centro da pista, e variava da esquerda para a direita, balançando a cabeça e forçando uma fila de carros atrás dele a andar significativamente mais lentos do que o normal.

A Ladeira da Barra é estreita, mas não tão estreita para não haver convívio pacífico. A única vez que senti que eu não cabia na pista foi na curva, quando descia um ônibus e subia outro. Fui para a calçada. Uma vez. Há muito tempo.

Como já disse antes, não vou sair por aí numa cruzada solitária dizendo aos guerreiros ciclistas que ignoram qualquer regra, o que é o certo. Seria um desgaste enorme e pouco efetivo. Ninguém quer ouvir um estranho na rua lhe dizer o que fazer e o que não fazer. Ainda mais um mero mortal mortal, como eu.

Existem bons motoristas, prudentes, dirigindo carrões despropositadamente enormes. Mas invariavelmente eu me protejo mais quando vejo um carrão vindo. Eu imagino de antemão que qualquer carrão é um risco. É um abestalhado que não respeita os outros. Mas porquê? Porque muitos, muitos não respeitam.

Assim como conheço alguns motociclistas que mantém a incrível marca de zero acidentes e zero quedas. São prudentes e bem comportados na rua. Mas se ouço o ronco de uma moto redobro a atenção, porque os costureiros e malucos da direção agressiva fizeram a fama de todo um grupo.

Imagino qual a fama que o ciclista tem na cabeça da maioria dos motoristas.

Quando estou num táxi, vejo o motorista reclamar de outros motoristas, de pessoas fazendo besteira, mas não lembro de ter visto xingamentos direcionados especificamente aos ciclistas. Talvez sejamos ainda muito poucos para termos uma imagem geral estabelecida.

Mas sei que o jovem que desceu a Ladeira da Barra brincando, tratando o trânsito como uma diversão rebelde, contribuiu muito para a imagem do ciclista guerreiro desafiador, que não respeita e se veste do papel de vítima.

Que grande desserviço.

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