Boa tarde, Bahia

Hoje pedalando pelo Rio Vermelho, pela borda da esquerda, com minha nova buzina vermelha, tive que reduzir, porque três carros faziam fila, à minha esquerda, esperando uma oportunidade de acessar a via principal.

Reduzi, e me coloquei para passar entre os carros, atrás do primeiro da fila, à frente do segundo. Tinha espaço suficiente. Até que o segundo da fila percebeu que eu queria passar entre os carros, e avançou o seu automóvel, diminuindo o espaço entre os veículos e impossibilitando a minha passagem.

Porquê?

Resolvi passar atrás dele e o motorista do terceiro carro, ao me ver chegando, também deu uma avançadinha e também diminuiu a distância entre os carros.

Porquê? PORQUÊ?

Recapitulando: eu poderia passar na frente do primeiro carro, forçando-o a me esperar passar para poder acessar a via principal, mas decidi passar por trás dele. Assim, ele poderia acelerar sem se preocupar comigo, e eu não precisaria correr o risco de ser atropelado por ele, caso ele não me visse e decidisse que era hora de avançar. Todos ganham.

Mas o carro de trás avançou um pouquinho assim que eu me aproximei para passar. E o terceiro imitou o segundo. Por sorte não havia um quarto.

Me parece que não há um motivo diretamente racional para isso. Se existe, está além da minha compreensão.

Acredito que há um entendimento do motorista guerreiro, habitante da selva do trânsito baiano, de que não se pode dar passagem. Não se pode recuar. É preciso garantir o seu espaço. Em todos os momentos. Não basta dar sinal, é preciso ir metendo o carro, não basta vir mais rápido na esquerda, é preciso dar um sinal de luz no retrovisor, e nunca priorizar o outro – não porque isso vá te beneficiar – mas talvez porque entende-se que ninguém fará isso por você.

Acabo de retornar de uma semana de férias-férias em Buenos Aires, o que faz com que este primeiro dia de retomada do pedal seja um pouco mais chocante que o normal. Em todos os lugares em que andei em Buenos Aires havia calçada, árvores, sombras, faixas, semáforos, milhares de ciclistas, e como a cidade tem um bilhão de cruzamentos, todos estavam atentos o tempo inteiro uns aos outros. Foi minha primeira vez presenciando um trânsito não-agressivo, não-guerreiro, foi minha primeira vez vendo o carro sendo usado com total respeito e primeiro para o transporte e conforto e lá no final da lista estava a demonstração de poder, quase o exato oposto do que se vê aqui.

Há muito a se falar sobre a capital argentina. Mas por hoje é só.

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Uma resposta para Boa tarde, Bahia

  1. quando acontece isso eu viro pro broder e falo: “senhor, da licença aqui…. chegue um pouco pra trás pra eu passar…” na av 7 funciona as vezes… mas o que faço sem dó é fazer o carro esperar eu passar, mas aí depende da situação, por conta desse risco de atropelo. rs

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