Olhando os carros

Quando comecei o blog, comecei para mostrar minha experiência de andar de bicicleta. Para compartilhar a coisa, toda. Para dizer: é possível. Ou constatar ser impossível e desistir.

Acabou que descobri que é possível. Ontem, mesmo, no sábado fui ao teatro de bicicleta, visitei meus pais, passei por uma blitz (rá) e cheguei tranquilo, tudo pedalando.

Meu olhar ficou mais atento para as bicicletas que eu vejo no trânsito. Que eu vejo em qualquer lugar, na verdade. Eu bato o olho em qualquer rua, se há uma bicicleta, acaba sendo a primeira coisa que eu vejo. Que bicicleta é, que acessório tem, se é o ciclista que segue a lei ou se é o ciclista bárbaro.

Isso tem mudado.

Tenho olhado muito mais atentamente os carros.

Minha mente não esteve especialmente atenta a isso, mas recapitulando minhas pedaladas, percebo que mais ou menos em 1 a cada 3 trajetos que eu faço pedalando, presencio uma situação de risco de acidente envolvendo carro. Sério.

Os 3 últimos:

Numa curva à esquerda na Av. Oceânica, à noite, um carro preto novo – a placa era parecida com HNZ6600, ou HZN0066 ou alguma variante desses – entrou na curva muito rápido, como se a pista estivesse livre. Não estava. Eu estava atento ao barulho do motor e abri mais à direita. Quando ele virou à esquerda, encontrou um carro andando devagar, e uma moto. Freou muito bruscamente e quase derrubou o motociclista. Parou o carro. O rapaz da moto também parou e começaram a falar. Ou berrar. Encostei a bicicleta e fiquei observando o debate sem conseguir entender nada, saquei o celular, disquei 190 e esperei pra ver se virava confusão pra apertar o SEND. No meio do papo amistoso o carro arrancou, cantou pneu, a moto arrancou atrás. Eu sabia que à frente o Rio Vermelho estaria engarrafado e fui atrás (hahaha). Não vi mais a moto, nem o carro, se se mataram mutuamente, tentei evitar, mas não consegui.

No Corredor da Vitória, de dia, uma senhora estava fazendo a manobra de retorno mais torta que eu já vi na vida. Seus movimentos espasmódicos estavam de tal maneira imprevisíveis que decidi descer da bicicleta e esperar um pouco. Um ônibus da empresa BTU não quis ser tão paciente – e nem acho que deveria. Desviou para a esquerda e tentou seguir. A manobrista-desastre prosseguiu desastrando e o ônibus teve que desviar mais à esquerda, o que quase causou um choque com o carro branco que vinha no sentido oposto.

Semana passada, a caminho do Shopping Barra, um carro torto na calçada da Centenário em plena tarde, amassado na lateral. Parecia resultado de uma batida. Ou a pessoa com mais preguiça no mundo inteiro de estacionar corretamente.

Isso descontando a história do acidente também na Oceânica, com o sinal verde, sem motivo nenhum.

Em 2010 morreram 523 motociclistas em acidentes de trânsito na Bahia. 1044 motoristas. Se somar os mortos em acidentes com veículos motorizados para o ano de 2010 chegamos a 1643 mortos no trânsito.

Foram 40 ciclistas.

Mais números aqui.

Devagar com as interpretações, uma vez que a frota de carros é incrivelmente maior, a quantidade de pessoas em volantes e motorizadas é muito maior, e é “natural” que o número de acidentes seja maior, e que o número de acidentes fatais seja maior. Ao mesmo tempo é preciso lembrar que a informação que circula para motoristas, motociclistas, o treinamento exigido, o esforço de prevenção de acidentes e a fiscalização é incalculavelmente mais presente no caso dos motores do que no caso das bicicletas. Muita gente não sabe nem que existe lei para andar de bicicleta. Então são números complexos de interpretar de maneira segura, mas fica a impressão de que andar de carro é um negócio bastante arriscado quando feito de forma leviana, mas eu e você e todo mundo conhece pessoas que são prudentes e responsáveis e minimizam riscos ao volante.

Com bicicleta é a mesma coisa.

Basta estar vivo para correr riscos, o importante é não se esconder do mundo.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Olhando os carros

  1. luciano disse:

    Eu sempre pergunto pra quem diz que bicicleta é perigoso quantas pessoas conhece que morreram ou tiveram sérios acidentes de bike e quantas de carro. da mesma forma que isso é impreciso, mostra que no dia dia, andar de bike não é o maior perigo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s