Freio!

Só para não perder o costume, hoje voltando para o Rio Vermelho congestinado (claro), vinha ultrapassando os carros no corredor do lado direito quando não mais que de repente quem vem de lá? Um ciclista urbano desinformado! Me coloquei à direita quase automaticamente forçando ele a se aproximar mais ainda dos carros, com um espaço bastante limitado. Não dei uma palavra, como sempre. Ele deu uma sinalizada de braço meio indignada, mas não disse nada. Tomara que se indigne bastante e vá xingar muito no Twitter sobre isso. Quem sabe um amigo dele o esclareça.

Mas hoje vamos falar de um aparelho que acompanha a imensa maioria das bicicletas, um apêndice quase tão antigo quanto a própria magrela: o freio de bicicleta.

O freio é um sistema totalmente engenhoso e não muito complexo através do qual a bicicleta pode ter a sua velocidade diminuída. O processo pode acontecer de forma tão eficiente que ela pode vir a simplesmente parar. Isso mesmo! O inconvieniente do desequilíbrio proveniente da falta de movimento exigirá do ciclista que este ponha pelo menos um pé no chão no momento em que a sua bicicleta interromper de súbito o movimento, evitando assim estabocar-se no chão.

Existem vários modelos de freio, e decerto que em momentos de tecnológicas disputas entre iPhones e Galaxies, outras formas de frear ainda serão criadas.

O freio é comumente utilizado para evitar acidentes, manter a velocidade em descidas, provocar quedas dolorosas ou executar manobras radicais, mas há ainda um outro uso, muito pouco difundido desta poderosa ferramenta: o freio pode ser usado para parar e dar passagem. Outra forma ainda mais revolucionária do uso do freio, e mais complexa, é um uso ainda mais raro, eu mesmo só conheço umas 3 ou 4 pessoas além de mim que usam o freio desta forma: o freio serve para você parar no sinal vermelho!

Quem diria que um simples ativar de uma alavanca poderia ter tantos desdobramentos?

O ciclista médio soteropolitano, seja ele do time da mão ou da contra-mão, tem um entendimento curioso de que a bicicleta não deve parar. Jamais. A não ser quando chegar ao seu destino. Você está numa bicicleta, a brisa agita os seus cabelos, você é um aventureiro! Um guerreiro das rodovias! Pessoas atravessando a rua? Manda sair da frente, aperta a buzina (se tiver)! Não há espaço na borda da pista? Corre para o meio da rua! Um carro quer entrar onde você também quer entrar? Mostra o dedo pra ele, manda ele vir passar por cima, mostra quem é que manda! Sinal fechado com senhoras esperando para passar? Espera mais um pouco, vovó, porque eu estou numa BICICLETA e nada pode me deter!

Sim, se um carro e uma bicicleta estiverem sinalizando para o mesmo espaço simultaneamente, a preferência é sempre do ciclista, mas as vezes o carro já está quase saindo e existe a possibilidade de diminuir a velocidade, eventualmente até mesmo pôr o pé no chão para dar passagem e exercitar a convivência em lugar da disputa.

Bicicletas das mais rápidas circulam na cidade a cerca de 30 Km/h. As rápidas. A média está provavelmente próximo aos 15 Km horários. É muito mais fácil interromper o movimento de uma bicicleta do que o de um ônibus. Pode-se pensar nisso e dar passagem ao ônibus que vai entrar, seguir depois dele, por exemplo. Pode-se parar nas faixas de pedestre que não têm semáforo, o que inclusive estimula que carros parem e as pessoas possam atravessar. E DEVE-SE parar no sinal vermelho, sempre que for um cruzamento ou tiver qualquer pessoa por perto que possa ser que queira atravessar.

Pela lei a bicicleta que está na rua deve parar no sinal vermelho em todos os casos como se fosse um carro. Paro sempre que tem alguém próximo. Hoje mesmo, alguém estava parado próximo à faixa, perguntei se ele passaria. Me disse que não e segui. No caso específico do sinal vermelho desabitado, é mais seguro para as bicicletas continuar o seu percurso, fora que a lógica que faz com que os carros tenham que parar de um jeito ou de outro não se aplica para as bicicletas em nossa cidade. Neste caso específico desobedeço e me comporto como um guerreiro das rodovias, mas já há debate pedindo mudança desta lei – embora esparso e desorganizado até onde sei – e esta e outras pequenas mudanças serão objeto de reivindicação da minha parte no ano de 2013, para que haja atualizações no código.

O ciclista espertalhão se coloca num contexto em que o trânsito é uma grande disputa, e ele descobriu na bicicleta um atalho. Já ouvi argumentos como: “eu já tô numa bicicleta, velho, vou ter que ficar parando?”. Claro que vai. Sempre que for hora de parar. Sou pelo ciclista cidadão, aquele que trará cada vez mais respeito e compreensão para o uso da bicicleta no meio urbano como modo de transporte, com direitos e deveres.

Alguém tem o e-mail pessoal de Manoel Carlos?

Por hoje é só.

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