Depois da loucura

Hoje é dia de eleição, últimos momentos para votar, é sempre quando escolho ir para a minha seção. Encontro-a sempre vazia, com uma fila de no máximo 3 pessoas, espero quase nada, voto sempre mais rápido do que todas as pessoas que eu vejo votar e vou embora.

Essa é a primeira vez que vou votar de bicicleta. Até a seção de bicicleta. No primeiro turno pedalei até o Centro, onde voto, mas deixei a bicicleta na casa dos meus pais antes.

Votei em Pelegrino, sem muita convicção.

O fiz principalmente porque entendo que não seja apropriado para a democracia que altos empresários – cujas empresas tiveram e terão contato íntimo com o governo do estado e município – ocupem eles mesmos, cargos de poder decisório no poder público. É o tipo de coisa que não dá certo no mundo inteiro, e que acontece no mundo inteiro. Um presidente (W) dono de refinarias de petróleo que comanda uma invasão ao Iraque e torna os poços de petróleo alvos prioritários, está cuidando dos interesses do seu país? Ou dos próprios interesses? Ficou confuso? Pode ser que seja limpo mesmo assim? Pode. Mas eu não sou cristão e não tenho TANTA fé assim nas pessoas. Eu acho que no mínimo vai ficar confuso. E confuso é suficiente para eu achar que não deve acontecer.

O debate não chega nem no partido. Nem nas propostas. Nem no caráter. O histórico de votações na Câmara. Nas ameaças de dar surra no presidente. Nada disso é levado em conta. O corte é antes. Esta cidade é controlada por concessionárias e construtoras (principalmente) entre outros empresários. Um dono de construtoras não pode ser prefeito. Não encontrei um argumento que arranhasse esta convicção. Nem me preocupei em acompanhar de perto os debates. Imaginei um baixíssimo nível e não acho que me enganei. Fui deixando para me manifestar no final do processo, porque, se um está automaticamente eliminado, para mim, o outro é uma lástima.

Este é um blog de bicicleta, né?

Panfleto de mobilidade urbana de Pelegrino: construir 14 viadutos, 3 ou 4 túneis, 5 ou 6 novas vias. Carro. Carro. Carro. Entupir construtoras (elas!) de dinheiro e gerar desertos no meio da cidade. Tudo ao contrário. A “solução” que é problema e que nem os carrófilos americanos apostam mais. E a outra proposta é o bilhete único por 3 horas. Proposta interessante, mas é um passo minúsculo para as necessidades da cidade. As linhas têm que ser todas reestudadas, redesenhadas, as informações sobre as linhas têm de estar nos pontos, o horário tem de ser ampliado sem mexer na passagem. Aí as coisas começariam a mudar. Então se a meta é estúpida e tímida, o resultado não deve conseguir chegar nem nisso.

Este foi o processo de eleições mais entristecedor que já enfrentei em toda a minha vida. Principalmente quando começaram a surgir denúncias dos vereadores do PT de que a estaria Polícia Militar intimidando militantes nas seções eleitorais. Chegaram a apontar uma arma para a cabeça de uma vereadora do PT. Alguns argumentam que ACM Neto não é o avô e não herdou a truculência que era marca de Toinho. Acontece que voinho não inventou a sua famosa “malvadeza”. Ele aprimorou e personalizou uma característica de barbárie da nossa direita baiana. Aposto meu 20 dedos de como o “soldado” Prisco – vereador eleito pelo PSDB, agitador da greve/motim dos policiais militares – está diretamente ligado a esta ação irregular de alguns PMs.

Volto a escrever essa semana falando sobre o magnífico uso de freios em bicicletas.

Por hoje é só.

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2 respostas para Depois da loucura

  1. wille disse:

    Esse ano eu fiquei com pena dos eleitores de Salvador… que dureza ter que escolher entre Pelegrino e ACM Neto! Pelegrino recebeu R$ 500 mil de doação da OAS… Nas contas de ACM Neto não vi doação de construtora, mas tem muito dinheiro que corre por debaixo do pano, então fica difícil dizer quem é menos pior…

    • Camilo Fróes disse:

      Eu acho facílimo saber o menos pior. Pelegrino. Meus amigos que trabalharam na campanha disseram coisas como: “poxa, primeira vez que trabalho em campanha política e assino aquilo que eu realmente recebi”. As questões de imoralidade do PT são graves, mas não chegam no calcanhar do DEM. O que é “mensalão”? Compra de votos, né. É importante colocar assim, para não confundir QBoa com água sanitária. “Mensalão” é uma “brand”, uma fantasia para fazer parecer que malfeito de um é mais malfeito que o outro. FHC comprou a reeleição, e não tem esse chilique. Pior: ninguém foi sequer formalmente acusado. Não estou dizendo que não tem problema, mas só um maluco – ou um mal informado – para achar que DEM e PT é a mesma coisa.

      Coisas como o que fazia o ex-secretário de cultura e turismo do estado da Bahia, Paulo Renato Gaudenzi, que é dar metade do orçamento do Fazcultura para a namorada e, não bastasse isso, com 3 canetadas desfalcar o Estado em 102 milhões através da Bahiatursa, e a gente só veio saber 6 anos depois. Isso porque a Cultura é um dos menores orçamentos, agora imagine. Nem na ditadura PM invadia campus como aconteceu em 16 de maio de 2001. Nada que fez o Ministério Público Estadual contra qualquer truculência de ACM, enquanto vivo, foi para frente. NADA. A justiça estava ao dispôr daquele sujeito. E você tem hoje, altos petistas presos (mesmo que sem provas definitivas).

      De novo: o que ocorre hoje com o PT não é OK. É péssimo. As ambições do partido eram outras. Queríamos mudanças estruturais profundas, e não populismos conciliatórios e avanços cosméticos, quando não completamente falhos, como o Minha Casa Minha Vida.

      Mas comparar esse PT horroroso ao DEM? Sem chances. Coisa pra maluco.

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