A contra-mão insiste

Nesta terça-feira não andei muito de bicicleta. Fui até um restaurante no bairro, fui bater baba aqui perto.

Esse futebol no Iguatemi, eu considero pertinho de casa, e acho que a única forma de considerar “pertinho”, é de bicicleta. Porque leva 10 minutos, se tanto. De ônibus, ou eu andaria muito até um ponto na Juracy, ou esperaria ele dar uma volta enorme. De carro, seria mais rápido que de ônibus, mas enfrentaria com certeza um trânsito imprevisível. De bicicleta é sempre 10 minutos.

Um amigo deu carona para mim e minha esposa até o aeroporto. Ela foi viajar. Eu fui carregar malas e me despedir propriamente. No bambuzal do aeroporto quem estava lá? Ciclistas na contra-mão. Anotei mentalmente.

E na volta do restaurante, hoje, quem foi que apareceu? Ciclistas na contra-mão.

Não me entendam mal, eu pego uma mini-contra-mão diariamente. Tem dias que eu pego mais do que uma. Como a bicicleta é uma coisa que não existe na cabeça dos planejadores e gestores desta cidade, tem vezes que uma mini-contra-mão compensa. Para chegar em casa “do jeito certo”, eu teria que diariamente dar uma volta enorme, que envolve subir uma ladeirinha sem graça, sem o menor motivo. Pego sim, uma mini-contra-mão. São mais ou menos uns 15 metros na direção errada e pronto. Chego em casa.

É um momento de exceção calculado. Não é a regra. O problema da contra-mão, e principalmente a contra-mão na avenida, e ela ser regra. Ainda mais se for uma contra-mão na avenida à noite. Pois é. Acabou o futebol – fiz um gol, botei duas bolas na trave, e devo ter assinalado 3 ou 4 assistências, e num lance totalmente bizarro levei um chute no queixo, mas ficou tudo bem – e ficamos conversando. Quase meia-noite e vou eu voltar pra casa.

Trânsito livre e desimpedido, até vi outros ciclistas passarem pela Juracy. Já no Rio Vermelho, perto de casa, três ciclistas na avenida, na contra-mão, no meu espaço. Fiz o que eu faço nesses casos. Me encostei na calçada o máximo que pude e forcei eles a se desviarem de mim. Um deles caçoou de mim: “êêê, tá na contra-mão, né, filho?”. Passamos rápido um pelo outro, nem tentei responder, eu teria que gritar pra ser ouvido, estava cansado e, como disse antes, não fico educando as pessoas na rua, nunca começo a falar, sempre aguardo para me manifestar na resposta. Dessa vez não tinha como, e ele com certeza não queria me ouvir.

Hoje a rua tentou me ensinar isso: o “certo” é andar na contra-mão. Raiai. Eu até tento não voltar nesse assunto, que é o que eu mais falo, mas essas coisas não deixam.

É impressionante como tem ciclista desinformado fazendo merda pela cidade.

Que vida.

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