Política e bicicleta

Esse tema da bicicleta está mais ou menos em pauta.

Este é um momento de entusiasmo pró-bicicleta, eu diria. Um entusiasmo tímido, localizado, mas ainda assim, as pessoas têm entendido que adotar bicicleta é uma mudança positiva para o mundo, e não raro alguns desconhecidos me incentivam no meio da rua quando notam que eu estou usando a bicicleta como meio de transporte (e não lazer dominical).

E tem os grupos. Tem um pessoal que se uniformiza como ciclista com roupinha de ciclista e passa de vez em quando aqui na frente de casa, tem o Massa Crítica e tem outros grupos. Daí que tem mais ou menos um mês que eu estou no Banco do Brasil, fui de bicicleta, e a moça dentro da agência me entrega um panfleto de um vereador. Ela entrega e diz: “Ele apoia muito vocês”. Eu sempre fico muito curioso para saber quem é “vocês” nesses casos, fico realmente animado. Quase dei um sorriso pra mulher. Fiz, no entanto, apenas uma cara de “quem é ‘vocês’?”. Ela entendeu. Respondeu:
– Vocês ciclistas.
– Ah, eu não faço parte de nenhum grupo – o que é verdade, eu simpatizo com a Massa Crítica, mas não frequento, nem virtual nem presencialmente.
– É muito importante essa questão da bicicleta. É muito importante isso que vocês estão fazendo.

Me mantive em silêncio. Mas a resposta mental foi: “nem todos os ciclistas são parentes, sabe? Alguns até nem se conhecem”. Mas fiquei calado, esperando a fila andar.

Ontem, em casa, domingando, presenciei da janela uma bicicleata (haha), acho que nem eles estavam chamando assim, mas vi pela segunda vez, um grupo de ciclistas com bandeiras de partidos e candidatos, acompanhando uma kombi que fazia o papel de carro de som. No meio das pérolas de carro de som de política rolou uma deliciosa: “ciclista que é ciclista vai atrás da kombi! Luta por seus direitos com o candidato X…” realmente não me recordo do nome do candidato. Colocaria aqui se lembrasse. É possível que seja o mesmo candidato da fila do banco.

Aí fica entendido portanto, para quem ainda não sabia: ciclistas são um grupo. Não dois, não três, mas um grupo. Estão alinhados politicamente. E andam de bicicleta para salvar o mundo.

A ignorância e a cultura do manobrismo político que jogam as nossas relações com o poder público no éter, no intangível, são fonte de grande desestímulo para tudo. Me resta apenas seguir fazendo o mínimo – que já é a mais do que a média – e sempre que possível, um pouco mais. O exemplo transforma mais do que a doutrina.

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Uma resposta para Política e bicicleta

  1. Some Guy disse:

    Everaldo Augusto é o nome do atrasa-lado que organizou esse passeio rídiculo sob nome de “Pedal da Asbeb”. Muito mangueado e sem organização. Os ciclistas com bandeiras dele penduradas em suas bikes não tinham a mínima noção de espaço, toda hora um esbarrava a cara numa bandeira. Comprou os ciclistas com uma feijoada em Itapuã. Feliz é quem vota em gente assim achando que vão melhorar a vida dos bicicleteiros de um dia pro outro aqui em SSA…

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