Penduricalhos e os paralamas do sucesso

Breve histórico de bicicletas e acessórios – sem contar a BMX da adolescência. Foquemos na fase do ciclismo urbano.

Peguei emprestada uma bicicleta de um amigo. Não sei dizer muitos detalhes do modelo da bicicleta. Era um mountain bike preta cheia de acessórios. Tinha uma luz traseira toda cheia de guéri, que dava pra ligar um pisca-alerta para esquerda ou para direita, e quando você apertava o freio, a luz ficava mais forte. Os chifres que acoplavam-se ao guidon reto. Uma buzina fom-fom fantástica. Tinha uma bolsinha pra colocar carteira ou coisinhas do tamanho de uma carteira, e um câmbio com problema, de modo que ela estava, efetivamente com 7 marchas, ligadas à coroa do meio.

Devolvi a emprestada, comprei uma bicicleta mountain bike frankenstein montada de restos de bicicletas quebradas toda cheia de problema. Nunca façam isso. Se não der pra comprar uma nova, compre uma velha que você conheça bem o ex-dono e o histórico. Coloquei uma luz traseira comum – que pisca ou não pisca. A monstrenga era feiosa e velha e o guidon partiu ao meio no meio da rua. No mesmo dia juntei todo o meu dinheiro e resolvi comprar uma da boa. De novo uma mountain bike, dessa vez com suspensão.

A mesma luz traseira, comprei uma lanterna frontal, um capacete, sinalizadores para os raios, um retrovisor ridículo e uma campainha fuleira.

A aquisição mais recente foi um par de paralamas nacionais. Vamos ver um por um.

Luz traseira com pisca-alerta – Não faz mal, mas não faz bem, para mim. Os carros não estão prestando atenção no pisca-alerta dos outros carros, quem dirá de uma bicicleta. Para bicicletas, patinetes ou automóveis, me parece que a forma de sinalização mais efetiva é usar os braços. As pessoas vêem, se conectam com o lado humano do pedido de passagem.  É quase um “me acuda, preciso entrar à esquerda”. A luz traseira sinaliza a minha existência, o braço sinaliza para onde vou virar.

Chifres para o guidon – O nome certamente não é esse. Como digo sempre, eu não sou um especialista. Acabei não usando, também. Era um acessório da bicicleta emprestada que não fez falta na bicicleta nova.

Buzinha fom fom / campainha fuleira – A lei obriga que você tenha uma buzina ou campainha de alguma forma. Morro de saudades da buzina fom-fom. Era alta o suficiente para ser respeitada por carros e trazia consigo o bom-humor necessário para encarar as relações no trânsito. Procurei outra e não achei. Consegui uma campainha fuleira de 8 reais que quebra com trepidação e é muito baixinha. Serve para sinalizar para pedestres e só. Atualmente quebrou e não serve pra nada. Estou esperando de uma loja aqui perto de casa, a chegada de uma campainha elétrica, que espera-se, seja alta e durável.

Bolsa de quadro de bicicleta – Extremamente útil, mas me trouxe mais problemas do que soluções. Muitas vezes amarrei a bicicleta no lugar em que cheguei e saí esquecendo a carteira com tudo dentro na bicicleta. Um horror. É ótimo. Mas não pra mim.

Lanterna frontal – Não serve como um farol de carro. Eu uso para me tornar mais visível no trânsito à noite. Coloco ela apontada para frente, um pouco para baixo, para que a luz “lamba” retrovisores a uma certa distância. A lanterna de led não tem potência para ofuscar de tão longe como uma “luz alta” , então mirar nos retrovisores não chega a ter um lado perverso.

Capacete – Não é obrigatório, como a maioria das pessoas imagina. Mas justamente pela maioria das pessoas imaginar, tem uma utilidade de dar um certo ‘status’ de cidadão no trânsito. Dialoga com o simbólico e o imaginário dos motoristas. A proteção também é importante, mas é um capacete muito frágil para que isso seja o fator principal. Um capacete de skate – que é a opção de muitos ciclistas – protege mais, mas o que me faz usar é mais a questão da visibilidade e do respeito simbólico. Tem uma viseira no meu capacete, que também é útil em dias de sol forte.

Retrovisor ridículo – Quem quer pedalar se utilizando de fato dos retrovisores, deve usar um desses que se acopla à lateral do guidon. A posição é ótima para uma visibilidade funcional. Retrovisor sim é obrigatório por lei para circular em ruas e avenidas. Eu uso um outro modelo, preso ao guidon, só para obedecer à lei. De fato ele me dá um pouco mais de informação sobre o que está ao meu redor, mas o ângulo é muito ruim, e eu estou constantemente olhando para os lados e para trás atento a todos os sons da rua e não me confio no retrovisor.

Paralamas nacionais baratinhos de plástico – Muitas pessoas me disseram que não adianta nada e que não vale a pena e que eu tenho que dar um jeito de importar, ou comprar uma bicicleta que já venha com paralamas. Posso estar errado, mas me parece que o conceito de mountain bike é de ser um bicicleta do esporte da aventura e a lama faz parte. O site da fabricante da minha bicicleta simplesmente não vende paralamas para o modelo do meu veículo. Se quiser, tem que improvisar. Optei por uma mountain bike, no entanto, porque sou um usuário hard, que não tem pena dos objetos inanimados, e trato minha bicicleta como se fosse um monster truck adaptado para todas as situações e modelos. E a topografia e a estrutura da cidade do Salvador está mais para ciclismo de aventura do que aquilo que os fabricantes americanos imaginam que seja ciclismo urbano.

Comprei. Instalei. É feio, é torto, mas se funcionar, tudo bem. Já me disseram que não funciona, mas ainda não fiz testes efetivos, só passei em uma poça d’água pequena até agora e pareceu que funcionou, uma vez que molhei apenas os pés – que aí não tem jeito – e não me molhei todo. Mas os testes reais estão por vir. Veremos. Quase tudo sobre bicicleta aprendi quebrando a cara, o paralama no fim das contas é baratinho, se der errado, vale pela experiência.

Outro acessório que sempre negligenciei, mas pretendo mudar este hábito, é o protetor solar.

Por hoje é só. No próximo texto voltaremos à questão do estacionamento num relato sobre minha ida ao Shopping Capemi.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Penduricalhos e os paralamas do sucesso

  1. wille disse:

    Sobre o retrovisor, li que a maior parte das colisões em bicicleta acontecem com coisas que estão à frente do ciclista. Colisões por trás representam uma fatia bem pequena dos acidentes e geralmente não se tem muito o que fazer.

    Postei o texto sobre Feira de Santana: http://wille.blog.br/2012/09/feira-de-santana-de-bicicleta/

  2. Some Guy disse:

    Os “chifres de guidon”, ou bar-ends, são muito úteis na hora de subir uma ladeirinha, pois dão aquele “grip” extra. Além disso, pras longas pedaladas, ajuda a aliviar a fadiga dos músculos do antebraço com a mudança de posição. Alguns tipos de bar-end ainda oferecem uma proteção às mãos, evitando o choque de galhos e arbustos no mato – ou no caso de quem anda na cidade, dos retrovisores dos carros 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s