24 de Julho a 4 de Agosto – Um Megâmetro!

Querido diário,

Estive ausente. Tentarei retomar.

Tenho várias justificativas.  Teve o Mê de Música mais trabalhoso de todos os tempos, teve as Olimpíadas, um vício feliz com vídeo-game (quem acompanhou meu outro blog sabe que é uma questão real da minha vida). Muitas coisas e uma confusão de horários e nenhuma rotina, o que desregulam bastante a vida de qualquer cristão.

Nesses dias, tendo ido à Av. Sete, a Ondina, à Boca do Rio e ao Salvador Shopping, além do uso regular pelo bairro, com certeza pedalei por mais do que 70 quilômetros e bati a marca dos mil quilômetros pedalados em pouco menos de 5 meses de relato.

Já é suficiente para ter uma ideia e interromper a contagem de quilometragem. Mil!

Hoje eu queria falar sobre buzina, rapidamente.

Eu sou bastante sensível a buzinadas, no trânsito. Menos do que quando comecei a pedalar, porque hoje tenho um filtro de racionalidade que me mostra claramente que nem todas as buzinas estão falando comigo. O que é óbvio. Mas quando se começa a pedalar, bate um pouco uma energia de Cristóvão Colombo indo redescobrir as Américas, uma sensação de Marco Pólo do asfalto, um desbravador. E no papel de bandeirante deste novo mundo, é comum  se colocar no absoluto centro das atenções.

Vai-se aprendendo a identificar as buzinadas.

• Tem o motorista incomodado de ter que lidar com esse moleque da bicicleta. A molecagem de estar saindo por aí numa bike num lugar de gente séria que tá atrasado indo trabalhar, não tá passeando com pedalzinho. Essa é a mais dolorida e despudorada. Ele não freia completamente, ele dá só dá uma reduzida e larga um PÉÉÉÉÉM longo que diz você não tem direito à rua em uma nota só. Como ele te assusta, e passa, maioral, essa te dá uma sensação de impotência incrível, e dá sempre vontade de anotar a placa e fazer uma maldade sorrateira num futuro próximo, o que, claro, nunca aconteceu. Mas o sentimento é esse.

• Tem o ‘tô passando’, que vai do respeitoso ‘tom tom’, ói eu, não vá se machucar, Seu Bicicreta, mas que carrega em si também a variável ‘Tooom Tooom’ que é mais um ói eu AQUI, porra, tô passando, se saia. A maioria dos bonzinhos são completamente desnecessários, são pessoas desacostumadas em dividir espaço com bicicleta e sentem a necessidade de te alertar que vão passar por você, devagar, a 3 metros de distância. Legal, tio, obrigado, não precisava. O modo agressivo, é mais comum entre veículos pesados. Caminhões e ônibus do mal. É preciso saber que todo motorista de ônibus desta cidade se relaciona diariamente com ciclista. Sim, já somos tantos assim. Todos. E a maioria é cauteloso e respeitoso – embora o ciclista iniciante possa frequentemente ficar com medo antes de se acostumar a eles. Existem situações no entanto, em que dá muito trabalho ser cauteloso e respeitoso e ele bota para lenhar e avisa que vai passar, e você que se recolha mais pro canto. É preciso saber ler e se proteger. Importante notar, ainda, que a bicicleta é o menos visível dos veículos do trânsito, e um veículo grande e pesado não é tão manobrável em alguns casos. As vezes o ‘Tooom Tooom’ é também tô chegando e não vai dar pra desviar. Por mais legal que seja o motorista. Pé quente, cabeça fria e atenção aos veículos grandes.

• As vezes simplesmente não é com você. Vai-se percebendo essas coisas, fica cada vez mais fácil.

• Os ciclistas que optam por andar mais para dentro da pista, para assim se fazerem notar mais, levam buzinadas com muito mais frequência. Pedalei assim, procurando a minha forma de me comportar e recebi umas quatro vezes mais buzinadas do que o normal. É uma buzinada ainda um pouco diferente, mas ainda é, de alguma forma, um sai da frente. Um dos motivos que opto por andar mais à borda – onde o asfalto é sempre pior, mas tudo bem, eu ando numa mountain bike com amortecimento – é porque diminui muito essa tensão com os carros, diminui muito a frequência de buzinas que, não tem jeito, ainda me dão sustos sempre que surgem de repente.

Vou fazer o máximo para retomar a regularidade, e amanhã tem mais.

Amanhã tem mais.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

2 respostas para 24 de Julho a 4 de Agosto – Um Megâmetro!

  1. wille disse:

    Deveria haver um aparelho no carro que registrasse quantas vezes o motorista buzinou e no fim do mês emitisse um boleto pra ele pagar pelo menos dez reais por cada buzinada!

    Você tem usado os bicicletários dos shoppings? São seguros?

  2. Camilo Fróes disse:

    Já usei no Shopping Barra e no Salvador Shopping.

    No Barra é um estacionamento externo, sem controle, várias bicicleta sempre lá e um guardinha. Da vez que eu passei muito tempo perto de minha bicicleta – tentando encaixar as pilhas da lanterna nova – ele se aproximou para saber o que estava acontecendo. Me senti seguro.

    No Salvador Shopping é junto às motos, uma gaiola, e eles pedem seu nome e RG, o que é uma fantasia de controle, já que na saída não pedem a identidade e nem anotam nenhuma informação sobre a bicicleta. Mas a fantasia de controle já é um bom começo.

    Nos outros Shoppings ainda não fui de bike.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s