11 de julho

Querido diário,

O mundo está povoado de pessoas que, mesmo não sendo inteiramente devotadas à idiotia, cometem idiotices suficientes para esculhambar com a sua vida para sempre.

Não aconteceu nada.

Mas veja, hoje fui até o 2 de Julho. Segui pela orla, subi a Ladeira da Barra, pampampam. Na Barra há o Morro do Cristo. A Av. Oceânica torna-se uma ladeira na curva ao passar por este morro. Um ser humano veio por esta avenida na contra-mão em velocidade, que acredito, era de pelo menos 30 Km/h. Difícil saber. Talvez mais. Eu, começando a descer a ladeira, devia estar a uns 20 Km/h. Estava rápido. Ele vinha na “minha” faixa. Na borda da pista. Rápido. Com o seu motor. Não vi se era uma motoneta ou uma bicicleta motorizada. Tinha um motor com um timbre médio-agudo. Como era uma curva numa avenida, eu me afastei um pouco da borda para me tornar mais visível para os carros que poderiam vir atrás de mim. Por isso não colidimos. Só por isso. Ele passou MUITO perto. Muito rápido. Um impacto de bicicleta naquela velocidade seria para sair voando.

Não vi ele, ele não me viu, porque não dava. Não dava mesmo. Não desviei dele, não vi se ele desviou de mim, provavelmente não, mas não batemos por interferência do próprio Jesus Cristo que entediado que estava com suas ovelhas, resolveu evitar acidentes de trânsito como distração para uma quarta à noite.

Aí fica-se nesta posição difícil. Para andar de bicicleta você acaba sendo OBRIGADO a ser militante. Eu não tenho muita vocação para isso. Eu até milito para muitas coisas e dôo o meu tempo para diversas causas, mas à medida que vou ficando mais velho tenho me incomodado cada vez mais com o ato de dizer às pessoas o que elas devem fazer, ou como elas devem pensar. Mas esta postura é meio insustentável no caso da bicicleta.  Eu sinto que eu tenho que ser militante para me proteger, para tornar este modo de vida que adotei viável. Esse imbecil poderia ter matado a mim e a ele. A maioria das pessoas sobreviverá a um choque de 50 ou 60 Km por hora, mas não necessariamente numa curva de uma avenida, porque na sequência vem o playboy da S-10 e passa por cima de você.

Ok, pessoal, parou a brincadeira. Não pedalem na porra da contra-mão. Sério. E muito menos dirijam as porras dos seus veículos motorizados na merda da contra-mão. Que saco.

É preciso que haja um ciclista numa novela. Na novela das 7. Urgente. E ele tem que ser quase atropelado. Não pode ser atropelado. Quase atropelado. Não precisa ser o protagonista. Pode ser o amigo do protagonista. Que é um eco-chato adepto da bicicleta. Um rapaz bonito, que as meninas suspirem e fiquem querendo ver as coxas dele se exercitando. Que vá no Vídeo Show falar sobre o processo de pesquisa dele que fez ele ir de bicicleta pro Projac. E daí nas cenas dele rolam imagens bonitas do Rio de Janeiro e ele pedalando. Combinado, Manoel Carlos? Tô falando sério. Fiquei puto.

Porque não foi só isso.

A minha ladeira do coração nesta cidade é a Ladeira da Barra. Descê-la banguelando é como flutar em Chandele, é banhar-se no néctar da delícia com a vista da Baía de Todos os Santos.

Pois é.

Outro ser humano, dirigindo um carro branco, resolveu ultrapassar o limite de velocidade da ladeira (40 Km/h) subindo! O motor fazendo um barulho da desgrama. Mas não é só isso. O elemento o fez ultrapassando outros carros, na curva, na ladeira. Correndo. Jesus, que estava nesta noite evitando acidentes de trânsito, poderia, mais tarde, quando este homo sapiens estivesse em casa, dar a ele uma catatonia, uma demência crônica, uma deficiência qualquer que o impedisse de sair à rua dirigindo um carro.

Me imaginei descendo a Ladeira da Barra, sentindo o vento no rosto, e tentando desviar de um imbecil que sobe correndo pela contra-mão esta via.

Eu não sou de pedir. Mas tá pedido: Jesus, incapacita esses dois amigos da contra-mão. Manoel Carlos, podia ser o Solano Trindade, de repente, pedalando, hein? Só isso.

Fora isso, foi tudo tranquilo Subi a Ladeira com bastante facilidade, e experimentei filmar a volta do 2 de Julho para casa. Não sei se a imagem noturna da câmera presta, se prestar, vai virar o Tração Animal #4. São 10,5 Km para ir e os  mesmos 10,5 Km para voltar.

Eu sei que a internet em geral não gosta de textos “tão grandes”, mas hoje não tinha o que fazer. Um beijo!

11 de julho: 21 Km. Total: 778,2 Km

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

2 respostas para 11 de julho

  1. Claudia Viana disse:

    Legal seu post hoje. Tenho acompanhado seu blog e já até comentei no dia 01/02 de julho, mas acho que não viu…não sei. Admiro essa iniciativa do pedal comentado, filmado, é muito legal e motivador, Abraços!

  2. wille disse:

    E ainda tem gente que reclama de radar, pardal eletrônico… Fazer o que se a galera não respeita lei de trânsito? Eu me irrito com coisas menores, como carro parado em faixa de pedestre quando eu tô atravessando. Me controlo pra não dar um chute na lataria do carro!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s