9 a 11 de junho

Querido diário,

Parece mesmo que esses posts de vários dias juntos vieram para ficar. A vida, parece, não vai ficar mais fácil hora nenhuma.

Caí com a bicicleta. Não dela, mas com ela. Ela se machucou mais do que eu. Chego lá.

9 de junho foi o sábado que comentei na publicação anterior, e fui de bicicleta até a Boca do Rio. Quanto mais eu faço esse caminho, mais familiar ele fica, e menos assustado à toa eu fico. Mas pode ser sorte, ainda, só fiz o trajeto 4 vezes. Dessa vez, saí 13h20 e encontrei apenas uma pessoa atrás do Aeroclube que estava lá sem tornar claro o motivo de estar lá. E estava completamente vestida. Tinha até um boné.

Eu tenho bem claro na cabeça o que é o perfil de uma pessoa suspeita. Alguém que eu evito passar perto. Resultado da minha própria experiência de ter sido assaltado das mais diversas formas e modalidades. Aquele sujeito com roupas muito velhas, rasgadas ou com vestuário faltando (sem chinelo ou sem camisa) ativa o sentido-aranha. Se está parado no meio do caminho sem motivo aparente, aguça o sentido-aranha. Mesmo quem está esperando, assume uma postura de quem está esperando. É diferente de estar ali pra “nada”. E a maioria dos que me assaltaram deram na vista antes. Se comportaram de forma suspeita, ficaram olhando demais, agiram como um criminoso de Maurício de Souza. Então as regras são: atenção ao mal vestido, tenta entender o a lógica da presença dele no local, observe atentamente para ver se ele está te observando atentamente e siga seu caminho, passando longe. Os leitores racistas podem estar sentindo falta de o sentido-aranha ser mais ou menos sensível ao fato do sujeito ser branco ou negro. Não é. A última vez que eu fui assaltado, o moleque usava uma faca e era branco. Quase loiro. É um grande erro focar nos negros como grupo preferencial suspeito. Não só porque é, de fato, racismo, mas em Salvador, é também estupidez.

Bom, fui e voltei sem medo. Sem medo de gente. Ou de carros. Só de chuva. Não choveu e deu tudo muito certo. 8,2 Km para ir, 8,2 Km para voltar.

Já quase na porta de casa, atravessei a rua do muro do Quartel de Amaralina para a Oswaldo Cruz, e decidi descer da calçada para a rua, montado, uma vez que o trânsito estava livre. Big mistake. Desci da calçada para a rua e a roda dianteira foi num buraco pequeno e disfarçado. A roda travou e eu caí com a bicicleta. A campainha novinha espatifou-se, a lanterna voou, mas recuperei, meu joelho foi no chão, mas não chegou nem a arranhar. Leve dois segundos para levantar e sair da rua, e o trânsito ainda estava livre. A queda foi, de novo, completamente idiota. Cheguei em casa baixo-astral. Foi bem desmoralizante.

10 de junho foi o dia de ressaca da festa A Bolha. Domingão delícia. Cheguei da rua do sábado só às 8h e pouca e dormir até mais tarde. Até surgiu uma oportunidade de pedalar até o Costa Azul para almoçar, mas o risco de chuva desanimou.

Hoje é 11 de junho, uma segunda e fui à Biblioteca Reitor Macêdo Costa, no campus de Ondina da Ufba, fazer planejamento de aulas. 4,8 Km na ida, 4,3 Km na volta. Na ida, ainda no Rio Vermelho, o sinal tinha acabado de fechar para carros, uma moça com roupa de aeróbica estava a 10 metros da faixa de pedestres mas resolveu ultrapassar no meio dos carros. Olhou antes de passar? Não. Quem ela não viu? Eu. Se jogou na minha frente. Literalmente. Quase não deu tempo de parar. O pneu arrastou fazendo barulho e ela percebeu a besteira que estava fazendo. Parou, percebeu, e continuou correndo. Foda. 1, tava do lado da faixa, 2, não precisava correr, estava fechado. Deixe ela.

No campus de Ondina, quase todo em obras, tem uma faixa vermelho ali perto do PAF I que parece uma ciclovia. Se for, é bem no estilo soteropolitano: liga o nada ao lugar nenhum e serve apenas para dizer que tem.

A volta foi mais curta, porque deixei a bicicleta na revisão. Já estava na hora. Ela tomou várias chuvas e a corrente está totalmente seca e barulhenta. O freio traseiro está já bem folgado. O guidon girou no eixo, com a queda.

Terei ela de volta só na quinta.

Atualização: como fui esquecer? Ao voltar de Ondina, vi uma Kombi pegando fogo. Fumaça preta, densa, muito fogo, muita fumaça. A impressão que dava era de que a gasolina estava sendo toda gasta. Fiz o que os curiosos fazem: encostei meu veículo e observei, tentando entender, com a diferença de que não atrasei a vida de ninguém – além da minha – fazendo isso. Vi uma moça estacionar, também, com um propósito diferente: ofereceu o extintor do carro dela. Pelo visto queimou até o fim.

Esses trechos somados: 25,5 Km. Total: 611,8 Km

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s