19 de maio

Querido diário,

Hoje de manhã bateu uma paúra. Um medinho. Eu ia fazer um caminho que eu nunca fiz, sozinho, com o tempo fechado – ou seja, maior possibilidade de a rua estar deserta. O plano era fazer o Tração Animal #3 na quinta-feira, mas meu companheiro de pedalada para o terceiro episódio se adoentou e não pôde. Então resolvi fazer sozinho, no sábado pela manhã. Ciclovia: Amaralina até o meu compromisso na Boca do Rio, próximo à sede de praia do E. C. Bahia.

Mas como eu disse, rolou um medinho.

Fui de bicicleta, pensei que com a rua deserta poderia haver algum perigo. Expôr minha bicicleta à hipótese de roubo é cotidiano. Expôr uma câmera de vídeo profissional emprestada é outra conversa. Decidi ir. Mas ir sem câmera. Não gravei o Tração.

Minha imaginação, no entanto, estava enganada. Dezenas e dezenas de guerreiros que levam suas atividades físicas muito a sério foram à orla pela manhã, como, acredito, fazem em dias de sol, mesmo o tempo estando muito feio. A orla é muito povoada de manhã, tive companhia o trajeto inteiro. Ciclistas, pessoas se alongando, correndo, andando, jogando futebol na praia, foi como se fosse sol. Nunca imaginaria. 8,3 Km de ida, com chão molhado – cadê o paralamas? – alguma lama subindo para a camisa, eventual chuva leve. Cheguei ao destino apenas para descobrir que o compromisso foi cancelado. Nem me dei ao trabalho de  tirar a camisa suja e colocar uma civilizada. Nesse tempo de chegar e descobrir que não ia rolar o que eu fui fazer, a chuva tomou corpo e ficou malvada.

A volta de idênticos 8,3 Km merece outro parágrafo.

Pedalei sob chuva de açoite contra o vento, vento bastante forte, aliás, e fui me encharcando. Próximo ao Jardim de Alá ficou dificil olhar pra frente, então eu abaixei o capacete um pouco e fiz a viseira de guarda-chuva e mantive o ritmo pra me livrar logo disso e torcendo pela mágica da impermeabilidade da mochila. Chuva muito forte, muito perversa. Pois é. Alguém vinha na ciclovia, pela mão, e eu só vi em cima. Era um ciclista esportista, bastante veloz, e quase quase nos batemos. Ele gritou um “sai da frente!”, eu respondi um “foi mal!”. Outro caso é que há um trecho de ciclofaixa – de espaço reservado na pista para as bicicletas, e não um espaço reservado na calçada. Essa ciclofaixa é protegida por blocos de concreto amarelos. Na ida estava tudo bem. Na volta, um bloco de concreto estava fora do lugar e um carro estava parado em cima da calçada com uma das rodas dianteiras estouradas, já sem ocupantes dentro. Rolou um acidente mais ou menos espetacular a uma velocidade totalmente sensacional para o carro estar ali como estava e para o bloco de concreto ter sido arremessado tão longe. Espero que todos estejam bem.

Cheguei em casa uma sopa.

Bicho, acredite nas mochilas impermeáveis. É mágica. Papel, camisa, caderno, caneta, tudo seco. Magia.

Sábado, 19 de maio: 16,6 Km. Total: 496,2 Km

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