3 de maio – 300 quilômetros!

Querido diário,

Um longo dia. O primeiro compromisso era em casa, mesmo, às 8h. Resolvido. Fui para a rua às 10h40, com folga, até o IRDEB. O horário marcado era 11h40. Essa coisa sobre tempo e pontualidade tem mudado de maneira muito severa na minha vida. Eu sempre utilizei transporte público, não sei dirigir um carro, e sempre foi muito difícil prever o meu tempo gasto em um percurso para qualquer lugar. De manhã bem cedo é mais fácil. É um trajeto mais estável. À tarde é totalmente impossível saber quanto tempo se leva. À noite já não é tão aventuroso, assim, mas continua sendo uma tarefa razoavelmente complicada. O ônibus já passou ou ainda vai passar? Quem sabe? E o trânsito vai estar fácil ou difícil? Pfff… E o trânsito em frente à Católica da Cardeal da Silva vai permitir a locomoção do trabalhador? É difícil. Eu usava isso como desculpa para me atrasar e as pessoas aceitavam muito bem.

Isso tem mudado.

É mais fácil calcular o tempo gasto no trajeto, indo de bicicleta. E não é tão irritante quanto andar de ônibus. Ônibus cansa a sua mente e esse cansaço não te dá nada em troca. Ir de bicicleta cansa as suas pernas e vai te oferecendo, com um tempo, um novo contorno. Conheço quem argumentaria que andar de bicicleta é sempre um prazeeeeer! Uma alegriiiia! Discordo. Várias vezes pedalo de saco cheio mentalizando um táxi. Mas não me permito usar um carro para um trajeto totalmente pedalável. Mas como eu dizia: IRDEB 11h40. Saí 10h40.

É proibido entrar de bermuda na repartição pública, e não lembrei se havia, na guarita de entrada, um lugar pra trocar de roupa. Escolhi uma calça jeans mais apertada, que corresse menos risco de enganchar na coroa e lá vou eu: camisa de suar, calça jeans, Cardeal da Silva acima. Não é um desaforo como a ladeira de São Lázaro, mas não é fácil. E é uma avenida estreita. Os motoristas ficam um pouco tensos. Levei umas 5 a 6 buzinadas totalmente injustificadas. E tudo o que sobe desce, né? A segunda metade da Cardeal e a descida do Parque São Brás são deliciosas. Tenho preferido descer as ladeiras mais suaves. Não rola a tensão de “posso estar indo rápido demais”. Em São Brás a velocidade foi BEM alta. Trânsito praticamente nulo. A subida da Rua Pedro Gama me botou pra suar bastante. Cheguei. 4,4 Km. 11h02. Enxuguei o rosto troquei a camisa, fiquei novo, conversei com as pessoas bem calmamente, dei entrevista sobre o Mê de Música para o Multicultura e para o TVE Revista. Terminei, dei um alô para os amigos, tirei a calça jeans, botei uma bermuda, recoloquei a camisa de suar e quando eu chego no portão do IRDEB, levei um buzinão de um carro atrás de mim. Detalhe: o portão estava fechado ainda. Tsc. O meu normal nessas situações é permanecer autista. Fiquei. Abriu o portão, saí, veio o Sr. Volante Elegância 2012, passou por mim, fiquei olhando pra ver se ele olhava. Não olhou. Emiti pensamentos malignos e funcionou. Um ônibus se embolou com outro ali no fim de linha. A rua é estreita, é difícil a manobra de ônibus ultrapassar ônibus. O cara ficou atravessado na rua.  O trânsito travou Mas não para bicicletas. Tchau, motorista gentil! Cheguei na Cardeal, esperei o trânsito dar uma folga e nenhum sinal do Sr. Volante. Nenhum. Pode ser que ele tenha descido pelo Vale da Muriçoca, é verdade, mas fiquei contente imaginando o apressadinho da buzina ainda preso atrás do ônibus. 4,1 Km até o Aogobom.

Não lembro se mencionei, mas tive problemas com o restaurante Aogobom uma vez, por ser ciclista. Segundo o segurança, não podia prender a bike na barra do toldo que fica na calçada, área pública, aliás. Não podia porquê? Ah, por causa dos clientes. Fui falar com a moça que aparenta ser dona. “Ah, é por causa dos clientes”. Eu não sou cliente? Confuso. Deixei de ir lá, simplesmente. Soube depois que aquele era um segurança substituto, e conversei com o original. Ele disse que garantia que da próxima vez, ia rolar. Passei ainda uns meses sem frequentar pra engrossar o caldo da pirraça. Fui hoje. Realmente, não tive problemas.

De lá, para casa. Checa e-mail, e de volta para a Fonte do Boi, para uma entrevista para a Revista MUITO. Mê de Música explorando uma celebrização. Foi legal. Terminou entrevista, volta em casa, checa e-mail dá telefonemas e… De volta para a Fonte do Boi! Ciranda Café, dessa vez para gravar para o programa Soterópolis com toda a equipe do Mê de Música. A bicicleta foi para o bicicletário. Ponto! Problemas técnicos atrasaram um pouco a brincadeira, mas rolou bonito, esse Soterópolis deve ser veiculado no dia 10 de Maio, mesmo dia que o Mê de Música vai para o ar.

Na segunda ida à Fonte do Boi, saí do meu padrão ultra-careta de pedalagem. Não raro minha esposa se impacienta comigo, porque abre-se uma brecha para atravessar a rua e eu não aproveito. Eu deixo para aproveitar brechas quando são mais do que brechas, quando são clarões. Estávamos um pouco em cima da hora para chegar no Ciranda Café, e aproveitamos a brecha. Um pedestre também aproveitou a brecha e se chocou comigo. O meu guidon foi na barriga do jovem, meu rosto bateu no ombro dele. Doeu nele, doeu em mim, mas foi pouca coisa. Pedi mil desculpas, disse que a culpa era minha, eu vinha atravessando a rua meio em contra-mão e não percebi ele. A obrigação era minha de ver ele, e enão dele de me ver já que eu vinha pelo outro lado. Fiquei tristão disso ter acontecido. Eu não atravesso assim normalmente. Não foi uma travessia perigosa, não foi arriscado, mas não foi do jeito que eu faço. Saí do meu modus operandi e não estava atento a tudo, somente aos carros e perdi o pedestre no radar. Falha. Triste. Não foi nada demais, o rapaz aceitou as minhas desculpas disse que machucou um pouco na barriga mas estava tudo bem. Tomara que isso não se repita.

Da Fonte do Boi para a casa da editora, para ver como o programa está até agora e tomar algumas decisões em conjunto. Bicicleta na garagem. Inveja de novo. Sempre. Tudo certo? Tudo certo. Agora, casa. Esse vai-e-vem pelo Rio Vermelho totalizaram 5,3 Km, somando os miúdos.

Ainda teria uma outra saída para pegar a câmera que vou usar amanhã, mas acabou que o benfeitor que vai emprestar o equipamento, não só vai emprestar, como passou aqui para entregar. Sucesso.

Atualização: Esqueci de uma coisa importante. O retrovisor fuleiro que eu usava, quebrou. A bicicleta fez que ia cair no chão, eu segurei o guidon rapidamente, esbarrei no retrovisor, partiu, já era. Estou ilegal! Vou arrumar outro.

Quinta-fera, 3 de maio: 13,8 Km. Total: 304 Km.

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