28 e 29 de abril

Querido diário,

Esse fim de semana foi caótico. Sempre os fins de semana do Baile Esquema Novo exigem muito foco, muito tempo e grande parte da minha força de vontade.

Embora tenha admitido a bicicleta como meio primeiro de locomoção, estou longe do expertise, e uso a magrela para os deslocamentos em que eu conheço bem o caminho, e os caminhos que eu faço com alguma frequência. Não saio me aventurando. Não porque não seja possível, não porque não se deva, mas porque existe um risco maior de atraso e, no bolo-doido da produção cultural, no momento em que estou, acabaria virando uma coisa a mais para se preocupar. Não acho que vá ser sempre assim.

Mas esse fim de semana os taxistas foram beneficiados do meu sentido de urgência. Só pedalei no sábado de manhã, para trabalhar na casa de amigos, aqui no bairro, mesmo. 1,7 Km, ida e volta. Deixei a bicicleta na garagem. Um lugar coberto, seguro,  tranquilo, que não fica no meio da sua sala. Que inveja.

Comentário ligeiro: Vi no youtube uma propaganda da VISA estimulando a viagem, o turismo internacional. Diz que você pode se arriscar à vontade, porque agora quem vai com VISA tem seguros mil. São 3 os exemplos de riscos mostrados no filme: brincar com ursos selvagens, não fugir do touro ensandecido naquela maluquice lá dos espanhois de soltar o bicho na rua e descer uma ladeira numa bicicleta sem freios.

A fantasia do risco alimenta a ideia do risco, que, em última análise se transforma em risco. Não são poucos os casos de relatos de motoristas que se chocaram com ciclistas e deram uma bronca no ciclista dizendo algo como: “você não deveria estar aqui! É perigoso! Eu poderia ter te matado!”. Essa construção ilógica parte da ideia de que andar de bicicleta é arriscado e só quem é muito louco faz uma coisa dessas. Se essa ideia, que o filme de Marcello Serpa e Luiz Sanches ajuda a propagar não existisse, os motoristas teriam mais vergonha de argumentar desta forma. Mas muita gente acredita que tem esse argumento, como muita gente acha que melanina define caráter ou inteligência, entre outras construções que não fazem o menor sentido.

Já a FIAT, por sua vez, fez uma das mais belas propagandas de “se beber, não dirija” que eu já vi, usando ciclistas como tema.

Campanha Fiat

Evolução: Há alguns anos atrás, a mesma FIAT veiculou um vídeo em que dono de um Palio, por amor ao seu carro, provocava a queda de um ciclista.

Sábado e domingo, 28 e 29 de abril: 1,7 Km. Total: 269,5 Km.

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