23 de abril

Querido diário,

Hoje vamos falar sobre um amigo especial. o motorista de caminhão. Mas não quero quebrar a cronologia. Vamos ao começo.

Segunda, acordar cedo, ir à faculdade. Aquela coisa. 4,3 Km sem surpresas com minha garota do Rio Vermelho a Ondina e subindo a ladeira perversa sem desmontar, de manhã cedo, com fome, só para não dar o braço a torcer ao desafio. Encontrei um amigo numa pizzaria uma vez que me disse que cultivava o hábito de suar, se esforçar e levar os desafios ciclísticos às últimas consequências porque não aceitava perder para a bicicleta. Não sigo a mesma filosofia. Mas é que a ladeira para São Lázaro via Ondina é tão surreal, mas tão surreal, que dá vontade de subir na marcha mais leve, chegar no final e pensar baixinho – mesmo em pensamento, é baixinho – “toma, otária”.

De lá para o Pelourinho. Mas tinha que almoçar. Desce o Campo Santo, sobe a Padre Feijó. Dia fácil, parei no TCA para almoçar – 2,3 Km nesse caminho – e liguei para o meu destino Pelourinho para ver como faria para estacionar a bicicleta lá. Acabou que com a evolução da conversa o compromisso no Pelourinho foi cancelado e surgiu um outro urgente no Cabula. Como isso acontece? Eu devo ser uma pessoa muito ocupada e cheia de compromissos.

Cogitei, confesso, pedalar até o Saboeiro / Resgate / Cabula (quem entende essa parte da cidade? Você? Parabéns, sério). Mas não só é um caminho que eu nunca fiz, como eu tinha horário, como são avenidas de Vale a perder de vista e eu ainda podia me perder. Eu desconheço em absoluto os caminhos do Cabula e dessa região da cidade. Voltei para o Rio Vermelho pelo caminho mais longo porém confortável, descendo a Ladeira da Barra e seguindo a orla para sempre. 9,5 Km segundo o Google Maps. Neste caminho, fiz um amigo. Um caminhão. Segunda fechada perigosa que eu levo. Segunda vez que sou totalmente desconsiderado no trânsito. Um caminhão pequeno da empresa TAC, passou muito perto. Sem necessidade. Como é a segunda vez, tive a frieza de olhar a placa. Infelizmente eu estava com pressa e não parei na calçada, tirei uma caneta e anotei num papel. Me arrependo. Me arrependo porque tenho agora dúvida sobre qual é a placa. É JOR-4179 ou JOR-4279. Tenho quase certeza de que é a primeira. Entrarei em contato com a empresa. Com reportagem no Fantástico, filhos de Eike Batista e tudo o mais, isso de atropelar ciclistas está recebendo alguma atenção e não é bom para os negócios. A lei, é importante lembrar, determina que você desacelere – em oposição a acelerar –  e passe a 1,5 m de distância, e não 10 cm, como aconteceu. Fiquei puto. Fica o registro, entrar em contato.

Fui e voltei do Cabula por outros meios. Funcionou também.

Atualização: Esqueci de um acontecido importante. Tenho notado – embora possa ser apenas uma impressão – um número crescente de ciclistas em todo canto. Ontem, já na Av. Oceânica, mas antes do incidente com o nosso amigo caminhão – ultrapassei um ciclista juvenil. Primeiro que avisto. Sou ruim de chutar idades. 13 anos? 14? Talvez. Numa bicicleta bonita de aro laranja, ele subiu a ladeira do Cristo com bom desempenho. Estava de mochila e farda de escola voltando para casa, provavelmente, e ficou feliz de ver um ciclista de mochila nas costas, me mandou um “legal” totalmente inocente e feliz. Me senti num comercial de banco.

Segunda-feira, 23 de abril: 16,1 Km. Total: 267,3 Km.

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