11 de Abril

Querido diário,

Ainda incerto de que a bicicleta estava em condições de uso para longas distâncias, fui almoçar pedalando. 800 m até o Ancoratto. Entendi com meu parco entendimento, que há um problema com a troca de marchas. A troca de marchas já era um problema, desde que eu comprei a bicicleta. Agora, o problema tem algum problema a mais. Mas está funcionando. Eu ando 90% do tempo na mesma marcha, de qualquer forma.

Na saída encontrei Lucas, também de bicicleta, que ia para o centro, depois do almoço. E opa! Eu também ia para o centro, depois do almoço. 800 m até em casa para deixar a comida do gato, e fui rumo ao centro do barril de Salvador, o famoso bairro dos Barris. Sol. Trânsito intenso.

Destino novo, caminho novo. Lucas conhecia mais o trajeto, então ele foi guiando, eu fui seguindo. Pegamos a Vasco da Gama, e por um determinado trecho seguimos pela pista exclusiva para ônibus que é, na vida real, uma grande ciclovia. Um trânsito enorme de bicicletas, acho que passamos por uns 25 ciclistas. No entanto, é uma faixa estreita, para ônibus, vindos de um lado e de outro. Todos muito atentos a todos os ciclistas, nas bem impacientes, afinal, a pista é deles. Foi interessante, mas não pretendo repetir a brincadeira. Não alcança os meus padrões particulares de segurança e, caso qualquer coisa aconteça, todos os argumentos estariam voltados contra mim. Foram 6,4 Km pouco depois do meio-dia com ladeira tenebrosa no final. Subimos empurrando e em frente à Bibiloteca Pública dos Barris, sem trânsito, ainda empurrando, atravessamos a rua. O fato de atravessarmos fez com que um motorista desperdiçasse 3 segundos da sua vida. Aqueles 3 segundos nunca mais vão voltar. Ele não freou. Ele tirou o pé do acelerador para nos deixar passar. Um esforço hercúleo. Revoltado com a nossa audácia de atravessar a rua, praguejou “atravessa assim na BR pra você ver!”. Eu não respondo a essas coisas. Eu finjo que é com Arquibaldo, meu amigo imaginário. Lucas fez melhor: mandou um beijinho.

Reunião ligeira nos Barris, voltei pelo “meu” caminho. Passei em frente ao Center Lapa, peguei a Avenida Sete, desci a ladeira da barra e fiz um caminho mais longo, bem mais longo, porém agradável. A volta teve 10,3 Km de tração animal. Já no Rio Vermelho uma breve interação. Um jovem em seu automóvel alerta: “a roda tá rodando”. Contatos desse tipo são bastante frequentes. Mostram que o ciclista ainda é um elemento exótico no trânsito local. Falta muito, ainda.

Quarta-feira, 11 de Abril, 18,3 Km. Total: 153,9 Km.

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2 respostas para 11 de Abril

  1. Muito bom. Acabei de conhecer o blog, li tudo. Parabéns Camilo! Abraços.

  2. “Mostram que o ciclista ainda é um elemento exótico no trânsito local.” Entendes que, no micro, na cabeça das pessoas, a bicicleta quebra um paradigma … e quebrar um paradigma é algo revolucionário, sim, é algo MICRO revolucionário … Observe que vc se sentiu motivado a escrever um blog sobre andar de bicicleta em salvador … Isso não seria necessário em outros países, ou até, estados do Brasil … Parabéns pelos textos !!!!!!!!! Muita bicicletagem

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