16 de Março

Querido diário,

Uma vez que a bicicleta ficou na casa de meus pais, saí de ônibus. Por sorte, a reunião da manhã de sexta era próximo à casa deles. Resgatei a bicicleta e saí às 13h30. 8,1 Km. Sol depois da chuva com pista molhada.

Achei que nada de diferente aconteceria nesta costumeira volta para casa. Mas aconteceu.

Na Av. Oceânica, mais próximo ao Rio Vermelho, há uma parte incômoda para o ciclista, porque  é morro de um lado e calçada elevada do outro. Calçada elevada. Não sei se urbanisticamente falando é assim que chama. É uma calçada que fica cerca de 50 cm suspensa em relação ao asfalto. É péssima em diversas modalidades. As pessoas correm na orla e ela tem degraus. É, degraus. Só pra você não poder usar cadeiras de rodas, skates, patins, bicicletas, monociclos ou fazer uma caminhada sem se preocupar com um… degrau. Para o ciclista ela é péssima porque no caso de ser fechado contra a calçada, não se pode fugir para a calçada. A opção fica sendo, portanto, ser esmagado entre o carro e a calçada suspensa da Babilônia.

Gênio do urbanismo responsável por este milagre da ineficiência, apareça aqui em casa, tem um beijo e um abraço te esperando.

Não fui esmagado.

Choveu em Salvador. E o trânsito estava mais lento. Por vezes, completamente parado. E neste trecho, o meu espaço entre os carros e a calçada, era insuficiente para a minha passagem. Subi na calçada. 50 cm para cima. Desci e subi os degraus empurrando a bicicleta. 750 m de calçada até o fim do Morro da Paciência, onde a rua se alarga e eu consegui pedalar um pouquinho, mas já na Curva da Paciência não havia espaço de novo e voltei a empurrar a bicicleta pela calçada. Nesse sobe e desce de calçada, degraus, aventuras, minha corrente ainda soltou duas vezes. Nas quadras de futebol, voltei a pedalar, na igreja de Santana voltei para a calçada e mais ou menos no Mercado do Peixe voltei a pedalar e cheguei em casa. Um saco.

Outros ciclistas teriam se aventurado a ultrapassar os carros pelo miolo. Não teria sido fácil, também. Engarrafamento engavetado assim, não deixa muitos espaços, e mesmo se houvesse, esse é um tipo de risco que eu prefiro não correr. Ando pela direita, montado na bike, ou empurrando, na calçada. Quase nunca é a maneira mais eficiente, mas a diferença é pouca, e o exemplo de fazer as coisas do jeito certo, para mim, é o mais importante.

Mesmo andando uma grande parte do meu percurso, atravessei o Rio Vermelho mais rápido que todos os carros envolvidos naquele congestionamento.

Teve mais. Em um dos trechos em que eu consegui pedalar no Rio Vermelho, passei por vários ônibus que simplesmente não saiam do lugar. Lá vem eu de bicicleta e a porta da frente abre e uma menina literalmente pula do ônibus. Se bate comigo. O choque foi totalmente leve, não teve nada, ninguém se machucou. Sempre que um ônibus está parado eu espero as pessoas subirem e descerem pra passar pela lateral direita dele, mas dessa vez foi surpresinha total. Fora do ponto, uma ejeção instantânea.

Sexta-feira, 16 de março, 8,1 Km. Total: 33,6 Km 

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